27/02/2018

Resenha: Tartarugas até lá embaixo

"Esse menino virou biólogo agora?" foi a primeira coisa que me perguntei quando vi um anúncio do novo livro do John Green, na traseira de um ônibus, no final do ano passado. Tartarugas até aonde?

Mas como aquela típica história de "não julgue um livro pela capa" no caso, pelo título  sempre se prova verdadeira, acabei quebrando um pouquinho a cara, quando esse achado de 256 páginas surgiu, por acaso, na minha vida.



Tartarugas até lá embaixo conta a história de Aza Holmes, uma menina de 16 anos que, junto com sua melhor amiga, Daisy, sai em busca de um bilionário recentemente desaparecido, motivada pela recompensa em dinheiro oferecida por qualquer informação do procurado. Só que a história não se limita a essa descrição simplória.

Como não poderia deixar de faltar em um livro de John Green, no meio desse mistério, a personagem de Aza acaba por tropeçar no que poderia ser um romance com o filho desse mesmo bilionário, Davis Pickett. A cereja do bolo da trama é o transtorno obssessivo-compulsivo (TOC), o qual Aza tem que lidar durante toda a sua vida.


O segredo do livro é que o autor sofre do mesmo transtorno da sua protagonista. Dessa forma, Green coloca esse romance como um dos mais pessoais que já lançou até agora. Como não há nada melhor do que experiência para dar vida a uma história, durante a leitura, não dá para fugir da sufocante angústia que rodeia a vida de Aza, devido a sua doença.

A narrativa é repleta de poesia, filosofia, metáforas incríveis e referências da cultura pop (como Star Wars, por exemplo). Acompanhar o dia-a-dia de Aza e a sua relação com Davis, Daisy, sua mãe, seus outros amigos, sua psicóloga e principalmente consigo mesma gera um inevitável sentimento de empatia, assim como certo desespero e angústia solidários.

Ao mesmo tempo, porém, as constantes repetições de manias e padrões da protagonista são capazes também de posicionar o leitor como mero observador, levando-o, em alguns momentos, a certa irritação ou mesmo sensação de sufocamento. Definitivamente, é um ótimo livro para te fazer sentir as emoções à flor da pele.



O compromisso de John em captar a constante espiral da sua realidade e a de Aza faz com que o fio condutor da narrativa seja, de fato, os enormes infinitos produzidos pela mente humana. Infelizmente, essa escolha é responsável, em certo ponto, por certa negligência em alguns aspectos da história. Fatos que deram o pontapé da jornada da protagonista (como o desaparecimento do bilionário, por exemplo) vão perdendo força e acabam amarrados de forma pouco trabalhada.  




Fora isso, porém, o livro é apaixonante e promove uma importante conscientização da realidade de pessoas que sofrem com o TOC, trazendo à luz um cotidiano que poucos de nós conhecem apesar de ser um transtorno muito comum, variando apenas o nível de gravidade. Além disso, é cheio de citações incríveis e passagens que levam à reflexão da vida de maneira geral.

Ah, e podem ficar tranquilos, porque, ao longo das páginas dá para entender perfeitamente o porquê da capa e do título  e, olha, não tem exatamente a ver com biologia.

Vale a pena a leitura!


Avaliação: 



2 comentários:

  1. Esse livro é incrível! Não tenho nem palavras pra descrever, já que entrou pra lista de favoritos. Super me identifiquei com a personagem, sério. Foi um livro muito intimista, pra falar a verdade. Nem tenho que dizer que me apaixonei! Adorei a resenha!

    xoxo,
    Nathália Kai
    (eumultiverso.blogspot.com.br)

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    Respostas
    1. Obrigada, linda! :D
      Realmente não tem como não gostar. O Green arrasa demais. Esperemos que ele continue lançando mais material incrível pra gente!

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