14/03/2018

Resenha: Tristão e Isolda

Não sei se posso começar com "era uma vez...", mas o caráter lendário da história de Tristão e Isolda traz tanta mística e romance quanto um conto de fadas, propriamente dito.



Para você que não está por dentro do que estou falando, te apresento a lenda de Tristão e Isolda, que contou, encantou e vem se reinventando desde a Idade Média. A história fala sobre um trágico amor e acredita-se que circulava entre os povos celtas do noroeste Europeu, sem que se tenha certeza ou não sobre a sua veracidade.

Mas vamos ao enredo... Tristão é um notório cavalheiro a serviço de seu tio, rei Marcos da Cornualha. Isolda é a princesa excepcionalmente bela da Irlanda. A missão do protagonista é trazer a princesa para as terras nacionais, para que ela se case com o seu tio, o que deveria ser fácil para um cavalheiro reconhecido por sua excelência... Mas uma lenda não é uma boa lenda sem um evento surpreendente e uma reviravolta!

Durante a viagem de volta à Cornualha, uma poção mágica de amor se intromete no plano dos dois protagonistas, de forma "acidental". A partir desse momento, não tem mais para onde fugir, Tristão e Isolda se apaixonam perdidamente; aquele tipo de paixão que deixa qualquer casal de novela das seis no chinelo. A questão é que Isolda supostamente era prometida ao rei Marcos, não é mesmo? Opa, algo de errado não está certo!




É com esse pontapé inicial que a trama se desenvolve, acompanhando o amor proibido do casal protagonista. A relação de ambos é escandalizadora, violando as leis religiosas e morais da época, mas isso tudo parece ser o menos importante para os dois amantes.

Tristão e Isolda é uma história repleta de aventuras, de tramas e reviravoltas inusitadas. Aquele tipo de narrativa que quando você pensa que está tudo bem, o narrador te interrompe e fala "na na ni na não, dorme com essa!".

Na verdade, a figura do narrador (observador) também tem seu momento de brilho na história, pois é bem diferente do que estamos acostumados na literatura contemporânea. Não há qualquer sombra de imparcialidade nele, nem mesmo muito apego ao suspense, já que, vez ou outra, ele joga um spoiler na sua cara, do nada. É uma relação bem diferente do que a que eu, pelo menos, estou acostumada na leitura e eu achei bastante inusitado e interessante.




Porém, se a história parece ser feita especialmente para agradar os possuidores de um coração dramático, eu não posso me incluir tanto nesse grupo. Como dito, estamos falando de uma lenda aqui, de uma narrativa com muitos altos e baixos e esse caráter, em específico, acabou me cansando um pouco. A comparação com uma novela não foi por acaso. Foi assim que eu me senti em alguns momentos, como se grande parte do livro fosse preenchida por desventuras mirabolantes que afastavam o casal. Para mim, foi uma característica do livro que não funcionou, fazendo com que eu arrastasse a leitura mais do que deveria.

A minha questão particular com a forma da narrativa acaba por contrastar com meu apaixonamento pelas sutilezas presentes no enredo. De todas as coisas que se desenrolaram nas 255 páginas de história, o que me deixou suspirando pelos cantos foi notar a diferença entre os efeitos do amor provocado por sortilégio mágico e aquele amor sincero que nasce no coração, em algum momento de sorte. Não me lembro da última vez que me deparei com a forma explícita de distinção entre sentimentos puramente sinceros e sentimentos formados a partir das circunstâncias, ainda mais de forma tão singela como acontece nesse livro.




De maneira geral, eu gostei da história de Tristão e Isolda e a recomendo para todos aqueles românticos incorrigíveis, que não resistem a uma comédia romântica e mantém Romeu e Julieta como livro de cabeceira. Contudo, aconselho procurarem a versão de Helena Gomes, que é muito elogiada e recomendada nesse mundão que é a Internet. Acredito que, possivelmente, a leitura dela possa ser mais amigável que a versão com a qual eu tive contato.

Aliás, lindezas, a leitura de Tristão e Isolda faz parte de um desafio literário que eu me propus a fazer. Então, fiquem ligadinhos por aqui, porque, logo mais, eu volto para comentar mais a respeito disso com vocês. Até semana que vem!


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