11/04/2018

Resenha: Cabeças de Ferro

Ei, você já foi chamado de CDF?

Eu já (porque é verdade mesmo) e, durante a minha pré-adolescência, não faltaram livros nos quais tínhamos a personagem da menina nerd, tímida, excluída que, de um dia para o outro, tira os óculos ou o aparelho, vai para um baile... E pá! Todo mundo ama!


Mas pode ir parando por aí! O livro de Carol Sabar, Cabeças de ferro, não se prende nem um pouco nesse nerd estereotipado. Na trama, os CDFs estão em seu habitat esperado: a melhor universidade da cidade (bem vindo à Ponto sem Nó!). Deixando os livros um pouco de lado, a missão dos protagonistas é desvendar um mistério a respeito de um acidente ocorrido no dia do trote dos calouros. Missão que eles se comprometem a encarar, entre as festas nas repúblicas, provas, relacionamentos complicados e bolsas de intercâmbio.

 Malu acabou de se aprovada em Engenharia, na "Universidade dos Cabeças de Ferro" e se prepara para encarar o icônico trote dos veteranos do seu curso, contando com o apoio do seu melhor amigo Nicolas. Além da pressão de encarar uma dose certa de humilhação, o veterano designado para aplicar o trote gosmento em Malu é nada mais nada menos que seu "arqui-inimigo" (terrivelmente sexy), Artur Cantisani. Só que, na prática, não é bem assim que acontece...

Artur acaba por aplicar o trote em outra caloura, que inesperadamente sofre um choque anafilático. Espera! Isso deveria acontecer? O que tinha na gosma despejada na caloura? E por que era a única de cor diferente? Por que todas as outras garrafas com gosma desapareceram sem deixar rastros? Alguém estaria tentando ocultar provas? Os estudantes de Engenharia estariam na mira de um assassino?

Muitas perguntas a serem respondidas. Envolvidos até o pescoço na situação, quem melhor do que os CDFs Malu e Artur para solucionar esses mistérios?

Devo pontuar que é essa premissa de mistério uma das que mais funciona no livro, de forma que foi a principal responsável por ter retido minha atenção durante toda a leitura. Carol soube amarrar os pontos e criou um fluxo de "vai e volta" das respostas encontradas que realmente nos leva para esse cenário de investigação. Afinal, nem todas as suposições podem estar sempre certas, mesmo que nossos personagens principais sejam superdotados em inteligência.


Cabeças de Ferro ganha ponto também ao não se limitar simplesmente no enredo principal, dando profundidade ao cotidiano dos estudantes, bem como os problemas e traumas pessoais de cada um. Os personagens não se mostram amarrados única e exclusivamente na situação decorrente do trote, o que, além de ajudar a destacar os momentos de maior tensão (quando contrapostos com os que ocorrem cotidianamente), traz leveza à leitura. Não dá a oportunidade ao possível cansaço em relação ao tema.

Mas, como nem tudo são flores, se a trama principal é bem desenvolvida, os personagens deixam a desejar. A começar pela protagonista, Malu, que, na vida real, seria aquela menina que nos despertaria um pouquinho de inveja, mas de que ninguém iria querer ser amiga: inteligente, bonita, paqueradora, fútil, metida, reclamona (olha, nas primeiras páginas do livro, ela se queixa de ter ido estudar na Califórnia... De graça! Ah, vocês me poupem!). O cisne gracioso e único entre os nerds patinhos feios do mundo.


Malu é a típica personagem que é tudo de bom e consegue tudo que quer. Esse perfil, além de dificultar uma identificação massiva com ela, faz com que suas queixas, na maioria das vezes, sejam vazia e desinteressantes (afinal, se você é tão maravilhosa em tudo que faz, vai se queixar de quê, minha filha?). Essa realidade tão particular da Malu me deu bastante preguiça no começo do livro, mas continuei, como eu disse, focando no enredo... Óbvio que com algumas eventuais reviradas de olhos, porque não sou de ferro!

Os outros dois protagonistas, Artur e Nicolas, que se fazem presente no dia-a-dia de Malu, também se apresentam da mesma forma. É uma combinação que resulta naquele triângulo amoroso clichê: o romântico apaixonado versus o sensível e misterioso bad boy. Ambos, porém, superinteligentes, gatos e gostosos; só que sem qualquer particularidade, sem qualquer traço realmente interessante na personalidade. São os pares perfeitos para disputarem pela menina perfeita, formando o casal perfeito, zzzZZZZzzzz.

Definitivamente, o livro de Carol Sabar não nasceu para se firmar como romance. Mas funciona bastante como mistério adolescente e por isso que a leitura é válida. Acredite, você vai ficar morrendo de curiosidade para entender o que afinal aconteceu nessa história toda de trote assassino e como cada pessoa afetada pelo episódio está lidando com as consequências do mesmo. Sem contar que levanta temáticas importantes como trotes vexatórios, bullying e uso de drogas.


É uma história divertida, se você não tem maiores pretensões. Naqueles dias em que a última coisa que você quer fazer é estudar, passar um tempo com os nerds da Carol Sabar talvez te entretenha um pouco. Boa leitura! ;) 


Avaliação:
 






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