06/06/2018

Resenha: Will e will

Depois de uma temporada, pirando com a faculdade, eu estou de volta! Melhor que isso, eu estou de volta na companhia de John Green e David Levithan.


Will e Will - Um nome, um destino é o tipo de livro que você começa a ler com um grande ponto de interrogação na cabeça, porque a sinopse não te dá muitas dicas do que está prestes a vir por aí. Na orelha do livro, temos:
"Em uma noite fria, em uma improvável esquina de Chicago, Will Grayson encontra... Will Grayson. Os dois adolescentes dividem o mesmo nome. E, aparentemente, apenas isso os une. Um Will é amigo do mais expansivo gay de sua escola. O outro precisa explicar à própria mãe sua orientação sexual. Mas, mesmo circulando em ambientes completamente diferentes, os dois estão prestes a embarcar em uma aventura de proporções épicas. O mais fabuloso musical a jamais ser apresentado nos palcos politicamente corretos - e tedioso - do ensino médio. Uma produção que promete ser tão cult quanto este romance."
E aí? Esses Wills vão ficar juntos? Como assim um musical? É o High School Musical da literatura agora? 

Foi bem assim que eu comecei a ler Will e Will.


A história oriunda da parceria de Green e Levithan, porém, é bem mais simples do que essa trama dramática que geralmente se espera. Basicamente, o que se vê é o desenrolar do cotidiano de dois adolescentes bastante perturbados que compartilham o mesmo nome e também grandes problemas em suas relações. No meio disso tudo, eles se encontram e estabelecem um elo entre si: um terceiro personagem, Tiny Cooper. Ele, além de grande astro do livro, se faz presente na história dos dois Wills, exercendo, porém, um papel diferente.

A narrativa do livro é alternada. Em um capítulo, temos um Will Grayson narrando e, no seguinte, o outro, e assim por diante. O primeiro Will que conhecemos é heterossexual e vive sob suas próprias regras de não se importar com muita coisa, tentando sempre passar despercebido, para, assim, não sentir a enorme carga que o mundo deposita em cada um. Contudo, tem como melhor amigo Tiny Cooper, um garoto gay fabuloso, que não consegue não estar sempre sobre os holofotes e, em consequência, é responsável por tirar Will da sua zona de conforto.


O segundo Will Grayson é homossexual, sofre de depressão e, em vista disso, apresenta bastante dificuldade em se deixar conectar com as pessoas (desde colegas da escola até mesmo familiares). Diferente do primeiro, ele não cria regras para se manter alheio a tudo, mas a sua condição acaba por deixá-lo sempre preso às questões em sua cabeça. O único que parece ser exceção a essa barreira é seu namorado virtual, Isaac. Em meio a isso tudo, Will encontra Will e o resultado desse encontro é que, a partir de então, Tiny Cooper acaba por se tornar também a pessoa capaz de tirar o segundo Will Grayson da sua zona de conforto.

Will e Will é um história muito sensível. Geralmente, é o que eu costumo chamar de "história sobre nada", mas, calma! Esse termo não é usado em tom pejorativo. A ideia é de que é uma narrativa bem cotidiana, mas, ainda assim, consegue tratar todas as milhões de coisas e questões que perpassam o jovem atual. A isso, podemos dar os devidos créditos a personagens muito bem desenvolvidos pelos autores. É possível compreender claramente a personalidade e particularidade de cada um e isso é um fator muito importante em um livro que se passa na fase colegial. Se, na realidade, temos essa como uma fase turbulenta de dúvidas e amadurecimento,  nada mais justo do que conseguirmos ver isso em livro também.


Will e Will é principalmente sobre amor: amor em relacionamentos, amor em amizade, amor naquilo que se faz, amor por si mesmo e amor pela vida e por seus milhões de imprevistos e coincidências. É uma história delicada e emocionante de compreensão do jovem para além dos seus possíveis rótulos, sem deixar de ser bem-humorada, sarcástica e crítica à sociedade atual.



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